“Quando um está no laboratório tem que conseguir a maior quantidade de informação útil com os fundos que recebe. Aqui o processo é o mesmo. A vantagem é que ao ficar algum tempo desde o outro lado, eu conheci os problemas e peculiaridades deste sistema e também pode entender alguns procedimentos burocráticos que antes criticava”, diz Lino Barañao, que deixa a condução da Agencia Nacional de Promoción Científica y Tecnológica - no mesmo momento em que o organismo cumpre dez anos – para encarregar-se do Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación Productiva, que foi criado recentemente. Nesta entrevista exclusiva com INFORMACIÓN TECHNOLOGY, o novo ministro parece entusiasmado com as possibilidades da indústria do software, fala do trabalho feito na Agência, a relação entre universidades e empresas, e a necessidade de fomentar a investigação original.
Serviços informáticos estão em terceiro lugar em o que fez ao destino do financiamento no Fontar. É chamativo si pensa-se que a criação do Fonsoft é relativamente recente. Como se inserta o tema do software e os serviços informáticos na política de financiamento na Agencia?
É verdade, é um fenômeno recente e de fato foi o setor que tive o crescimento mais rápido, em paralelo com a criação de Fonsoft e a Lei de Software. Se bem já investimos uma quantidade de recursos do Fontar para financiar esse setor, agora esperamos que esse financiamento seja assumido pelo Fonsoft, para ir ordenando os fundos. Mais o que falta é a investigação básica em tecnologia e informática, em comunicações, que no ultimo chamado representava somente o 2,4 por cento do total, frente a áreas que são tradicionalmente predominantes, como as biomédicas, que se leva quase meio financiamento.
Tem alguma política respeito disso?
Sim, para compensar baixamos a línea de corte na avaliação, para que não entrem somente os projetos excelentes, senão também alguns muito bons e bons, para que sejam financiados. Porque uma delas carências que temos na área do software é a investigação original. Se um analisa os projetos têm muito de tecnologia associada com software existente, adaptações e essa classe de cosas que são muito importantes no curto prazo, mas si uno quer que à Argentina tenha um desenvolvimento mais transcendente, temos que investir em investigação original. Também queremos estimular aos jovens profissionais para que completem uma formação doutoral. Temos poços doutores em software e é muito difícil competir com os salários do setor privado, então fazer uma carreira acadêmica é um investimento que não sempre aparece como importante, mais é necessário para a indústria do software.
Não é necessário falta de doutores, nem sequer terminam a carreira...
É assim, e esse é outro tema que queremos melhorar financiando as empresas para que possam induzir aos trabalhadores a que terminem a carreira. Estamos procurando que seja possível programar isso desde o Fonsoft. São dos problemas: um, permitir que os profissionais terminem sua carreira universitária. E outro, permitir a capacitação dos trabalhadores que faz tempo que estão na empresa e que não tem a oportunidade de atualizasse.
Como se instrumentaria isso?
Estamos pensando numa beca que cubra a metade do custo salarial e então essa pessoa tal vez pode trabalhar menos horas e dedicar esse tempo a sua capacitação; então a empresa não teria nenhum gasto adicional porque nos lhe compensamos essa diferença. Estamos procurando alternativas sobre como fazer-lo, mais está claramente identificado como um problema.
IDEIAS E PATENTES
Por que tem pouca investigação original em software?
É uma somatória de fatores: não temos uma tradição acadêmica, a gente está muito demandada pelas empresas e, portanto não tem uma permanência na universidade que lhe permita participar nos projetos. Temos poucos doutores e para apresentar esses projetos se exige que o investigador responsável tenha um titulo de doutor; então isso limita. Mais, estamos financiando projetos integrados e um de software que tem dos nodos, um em Santa Fé e outro em Tandil. Também ajudamos à criança dum cluster de computação na Facultad de Ciencias Exactas de la UBA e estamos programando um workshop para o ano que vem para mostrar aplicações de grid na área da medicina.
Tem patentes dos desenvolvimentos feitos na Argentina? Muitas vezes os grupos de investigação trabalham em conjunto com grupos estrangeiros e finalmente tudo termina com uma patente no exterior...
Isso não é um problema, por isso estamos financiando as patentes. Criamos uma agência de propriedade inteletual e estamos criando nodos no país para formar recursos humanos no tema de propriedade inteletual.
Em software não tem uma cultura de patentes, só tem uma lei de direitos autorais e não todas as empresas têm registro dele.
Tal vez o caso do software não é tão relevante, especialmente no âmbito local. Si uno vê o que sucede nos Estados Unidos, os litígios relacionados com patentes de software são milionários. Inclusive são interessantes as diferentes posições que tem nos Estados Unidos entre a indústria do software e da biotecnologia. Porque tem projetos de reformar a legislação que limita os reclamos ao valor especifico do software que está incluído numa aplicação, e não à aplicação completa. Isso é adequado para as empresas de software. Mais para a indústria biotecnologia isso poderia ser um desastre, porque é usual que os desenvolvimentos se baixem na somatória de contribuições particulares e muitas vezes o que patenteia uma empresa é uma contribuição marginal. Então si você desconta o conhecimento preexistente ao valor da inovação, a empresa termina com nada para proteger. Temos que ficar atentos a este debate entre duas indústrias tecnológicas que pode fazer que se replantem alguns aspectos da legislação de propriedade inteletual. O que não podemos fazer é ignorar lhe, porque goste o não, o conhecimento tem valor e si você lhe da de presente, alguém vá lucrar com isso. Não é possível ter uma posição ingênua.
Como faz para evitar que os investigadores dediquem boa parte de sua carreira ao trabalho subsidiário de projetos globais?
A investigação está globalizada, o problema é onde se marca a agenda e quem vá a lucrar com esse produto chega ao final do desenvolvimento, ou si é possível reclamar uma parte desse desenvolvimento que foi feito. E um assunto complexo: muitos grandes projetos são terceirizados em países como à Argentina e tal vez o produto final não deixe ganâncias para o país, mais na medida em que emprega e capacita gente, também tem um efeito positivo. Alguns logo se separam e criam outras empresas, não tem que analisar somente o redito imediato. O que sim me da preocupação é como fomentar a criação de conhecimentos originais. O problema que tem o sistema de avaliação a base de publicação de papers é que força aos investigadores a trabalhar em temas subsidiários nos que tem assegurada a possibilidade de uma publicação para seguir em carreira. Temos que prover mecanismos para que seja possível encarar uma investigação original, porque se somente temos investigadores que contribuem marginalmente, à Argentina não vá estar no mapa mundial da investigação. Por outro lado, si temos uns poucos com contribuições relevantes, isso sim nos deixa como criadores de conhecimentos.
Estão fazendo algo ao respeito?
Tem um problema cultural, um sistema que está instaurado. Não estão dizendo que temos que levantar os requisitos de publicação internacional, mais sim financiar em longo prazo aos investigadores destacados, como se fez em outros paises. Eu acho que em particular tudo o que é a área teórica relacionada com o software tem na Argentina uma possibilidade de desenvolvimento muito importante. Queremos dar sinais de interes na produtividade, mais também a originalidade do que se publica, dar lugar à criatividade e não afogar projetos. Eu acho que se pode fazer dentro do mesmo sistema de avaliação, permitindo uma maior flexibilidade em algumas áreas. Se um investigador tem uma idéia original deve ser apoiado, porque o sistema deriva para o mais seguro, e isso é um custo que em longo prazo se paga com muita investigação redundante.
O QUE FALTA
Como está evolucionando a relação universidade-empresa? Ultimamente se escutaram fortes criticas para as universidades que brindam consultoria e que tem vantagem à hora de ser contratadas desde o setor publico.
Eu acho que os serviços de assessoria devem estar demarcados nas universidades, precisamente para evitar essa classe de competência. As universidades deveriam concentrar se em favorecer a criação de novas empresas, mais que em competir com as empresas existentes. Acho que se desvirtua tudo o conceito de vinculação quando se assume um rol que não é o especifico. Só se justificam em casos pontais, quando é possível algum conflito de interesses, em questões estratégicas ou confidenciais.
O senhor sinalou a biotecnia, a nanotecnologia e o software como áreas estratégicas a promover. Que falta para que surjam novas empresas desta classe?
Na Argentina estão aparecendo fundos de capital de risco em forma crescente, e o que estão faltando são os projetos. O rol do Estado deve ser favorecer a aparição de novas iniciativas e dar financiamento nas etapas mais prematuras, de maior risco, e poder deixar uma carteira de projetos já avaliados desde o lado técnico e econômico para que os capitais de risco possam investir neles. O Fonsoft também acaba de fechar uma convocatória para a criação de novas empresas, mediante um subsidio a jovens profissionais que tenham vontade de iniciar sua empresa. Chama-se Emprendedores Fonsoft e cobre até o 5 por cento do projeto. Sabemos que terá certa mortandade de empreendimentos, mais eu acho que no caso do software será um êxito. Tem muitas possibilidades na aplicação do software à agricultura, à industria petroleira ou para saúde. Hoje é muito fácil inovar tendo a habilidade de incorporar avances na eletrônica ao desenvolvimento dum instrumento. Obviamente, isso requeira o desenvolvimento de um software especifico. Instrumental medica é uma área com muito potencial porque tem que ver com nosso perfil de país. Eu sempre digo que si saímos a vender relógios argentinos ninguém vai comprar lhes, pela fama de impontuais, mais tudo o que tem que ver com saúde tem uma tradição na Argentina, e o software também começa a ser reconhecido, então tem que aproveitar as vantagens que temos.
Traduçâo: Cecilia Valleboni